BALANÇO DA CRIMINALIDADE DE 2006 FEITO ONTEM POR CHEONG KUOC VÁ
Falsificações de documentos e dinheiro
aumentaram mais de 40 por cento

Menos crimes violentos, mas mais crimes contra a vida em sociedade - este é o balanço criminal de 2006, que ontem foi apresentado pelo Secretário para a Segurança

EMANUEL GRAÇA

A criminalidade em Macau subiu 3,0 por cento em 2006 em relação ao ano anterior. Os dados foram ontem apresentados pelo Secretário para a Segurança, Cheong Kuoc Vá, que revelou que, no ano passado, se verificaram 10.854 crimes, um aumento de 316 ocorrências em relação a 2005. Ao todo, foram conduzidos 3511 indivíduos ao Ministério Público, mais 398 do que no ano anterior - um crescimento de 12,8 por cento.

Os crimes contra a vida em sociedade foram onde se registou um maior aumento - mais 343 processos, o equivalente a um aumento de 36,7 por cento. Neste âmbito, os casos de passagem de moeda falsa subiram 50,8 por cento, ficando-se em 632 ocorrências. Os crimes de falsificação de documento também tiveram um crescimento acentuado - 42,9 por cento -, com o registo de 496 casos.

Em 2006, os furtos - considerados crimes contra o património - verificaram uma queda de 8,9 por cento em relação ao ano anterior, tendo sido registados 3016 casos. Foram verificadas 187 situações de usura (mais uma do que em 2005) e 933 crimes de dano - um aumento de 11,3 por cento no período em análise. Se os casos de burla diminuíram 6,4 por cento (322 ocorrências), as situações de cheque sem cobertura aumentaram em 13 episódios, fixando-se em 83 casos.

RECAMBIADOS AUMENTAM. O número de indivíduos na clandestinidade recambiados pelas autoridades de Macau aumentou 70,7 por cento em 2006 em comparação com o ano anterior. Foram recambiados 17.013 sujeitos (incluem-se aqui imigrantes ilegais e sujeitos com visto caducado), 93,5 por centos dos quais eram residentes na China Continental. O número de indivíduos do Continente em situação ilegal na RAEM subiu 110,3 por cento no período em causa, fixando-se em 1085 detecções. Paralelamente, os crimes relacionados com o aliciamento, auxílio, acolhimento e emprego a ilegais aumentaram 26,6 por cento - foram registados 604 casos.

A este respeito, Cheong Kuoc Vá referiu que as autoridades do território chegaram a acordo com os homólogos do Continente para que exista um controlo mais rigoroso na atribuição de vistos para a RAEM a sujeitos que já tenham sido detectados em situação irregular em Macau. O governante referiu ainda que os Serviços de Alfândega vão contar em breve com mais 60 novos agentes.

CASINOS NÃO ESTIMULAM CRIME. Cheong Kuoc Vá salientou ontem que o aumento da criminalidade não está ligada ao “boom” de casinos no território. Nas suas palavras, esta é uma inevitabilidade relacionada com o maior número de pessoas que frequentam Macau.

“Os visitantes do Continente, além de permitirem o desenvolvimento do jogo, têm trazido grandes benefícios ao território”, recordou o Secretário. “Com mais pessoas, é normal existirem mais crimes”, acrescentou, assegurando que as taxas de criminalidade da RAEM ainda se mantém baixas em comparação com outros territórios. O responsável não quis avançar com o total de crimes ligados ao jogo em 2006.

Nas medidas para combater a criminalidade, Cheong Kuoc Vá não apresentou novidades, apesar de reconhecer a falta de recursos humanos - para colmatar isso, vão ser levados a cabo vários recrutamentos ao longo deste ano. O governante voltou a defender o reforço policial nos sectores mais problemáticos e o combate à criminalidade organizada e aos crimes transfronteiriços.