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  N°2763 (Nova Série), S­bado, 5 de Abril de 2008
CASINOS SÃO O ASPECTO MAIS ELOGIADO DA RAEM
Um em cada cinco visitantes critica rede de transportes públicos

Os transportes públicos e os locais turísticos da RAEM são os aspectos mais criticados por quem visita o território. Os resultados são do Inquérito às Despesas dos Visitantes de 2007 que, sem surpresas, coloca a indústria do jogo no topo da satisfação dos inquiridos

EMANUEL GRAÇA

Já não é só a população de Macau que aponta o dedo à rede de transportes públicos do território. De acordo com o Inquérito às Despesas dos Visitantes de 2007, revelado esta semana, um em cada cinco visitantes considera que os transportes da RAEM “precisam de ser melhorados” — a nota mais fraca à escolha.
Os dados representam uma degradação da opinião daqueles que visitam Macau. Olhando para trás, na edição do mesmo inquérito de 2003, apenas quatro por cento dos visitantes davam a pior nota disponível aos transportes públicos do território.
A situação é tanto mais grave quando os visitantes de Hong Kong, o segundo maior mercado turístico da RAEM, são os que mais insatisfeitos se mostram. De acordo com os dados disponibilizados, o número dos residentes da RAEHK que considera que os transportes de Macau devem ser melhorados deu um pulo de oito pontos percentuais num ano, fixando-se em 25 por cento. Só em 2007, visitaram o território mais de oito milhões de pessoas provindas de Hong Kong, o equivalente a quase um terço (30,3%) do mercado turístico da RAEM.
Em termos globais, menos de metade dos visitantes (46%) se demonstraram satisfeitos com os transportes públicos em Macau. Outros 32 por cento afirmaram que estes são “razoáveis”, sendo que dois por cento dos inquiridos preferiu não comentar.
Os transportes públicos têm estado sob fogo nos últimos tempos devido à elevada saturação do sistema. O Governo tinha já anunciado no ano passado a não renovação do contrato com as actuais concessionárias do serviço público de autocarros, que terminava em Outubro. No entanto, recentemente anunciou que prorrogou esse prazo por dois anos, só prevendo uma abertura do sector em 2010. O Executivo anunciou ainda a introdução de autocarros de nove lugares nos bairros antigos, a entrarem em funcionamento no próximo ano, o que enfureceu o sector dos taxistas, que encaram o sistema como concorrência directa.
Entretanto, o projecto do metro ligeiro de Macau continua a avançar a ritmo lento, apesar das prospecções já estarem no terreno e estar em curso a selecção da empresa de assessoria que vai apoiar o Governo. Alheia a tudo isto, a RAEM continua a ser o sítio mais densamente povoado do mundo (e os números não incluem os cerca de 74 mil turistas que, em média, entram diariamente em Macau), mantendo-se também no “top” das cidades mais congestionadas do globo.
CASINOS. Nem tudo é mau no território, dizem os visitantes. No topo das suas preferências está, sem surpresas, a indústria do jogo. Aí, o grau de satisfação pula para 73 por cento, um aumento de oito pontos percentuais face a 2006. Também não muito surpreendentemente, quem mais elogia os casinos locais são os visitantes provenientes do Continente, com a nota máxima (em três possíveis) a ser dada por 79 por cento dos inquiridos da China Continental.
Curioso é que a maioria dos visitantes à RAEM assegura que não vem ao território para jogar — só uma ínfima minoria de quatro por cento o admite. De acordo com as respostas, o principal motivo que trouxe os visitantes inquiridos a Macau foi o gozo de férias (75%). Os restantes motivos ou justificações da presença dos inquiridos no território foram, por ordem decrescente de importância, os negócios e participação em convenções (11%) e a visita a familiares ou amigos (7%). Porém, no regresso, 55 por cento dos visitantes confirmaram ter jogado nos casinos do território.
Quanto ao património histórico de Macau, incluído na lista mundial da Unesco, também merece reparos. Do total de visitantes, 12 por cento dá nota “insuficiente” aos locais turísticos da RAEM. A par dos transportes públicos, este é o outro elemento do inquérito em que a nota mais baixa obteve uma percentagem de apoio superior a seis por cento e onde menos de metade dos inquiridos diz estar “satisfeito”.
O Inquérito às Despesas dos Visitantes é um instrumento estatístico do Governo de relativa importância para “tomar o pulso” ao turismo de Macau, nomeadamente através da despesa “per capita”, por exemplo. A edição de 2007 obteve cerca de 22 mil amostras efectivas.


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